Uma experiência para refletir…

Na quinta-feira, indo para o trabalho, tive um acidente de moto.
Eu estava ultrapassando um carro pela faixa da esquerda, quando o mesmo “lembrou” que queria entrar na rua da esquerda e virou sem indicação alguma.
No momento, eu estava no “meio do carro” e não tive tempo de parar ou terminar de ultrapassar ou até mesmo seguir o carro, simplesmente fui jogado pra esquerda e cai.
Acabei no chão e precisei de ajuda de um motociclista, que parou, para levantar a moto que estava em cima da minha perna.
Na hora, o cara também parou, perguntou se estava tudo bem e olhei minha situação:
A moto ficou com alguns arranhões e eu estava com uma escoriação acima da cintura do lado esquerdo; um ardido na coxa esquerda e o pé doendo (mas na hora nada demais).
Ficamos alguns minutos ali porém dispensei o cara e segui, achando que daria para ir pro trabalho. Não andei 3 minutos e decidi voltar para casa porque o pé estava doendo em cada passagem de marcha.
Usualmente ando com jaqueta, bota, luvas, capacete e joelheiras e por isso, graças a Deus, nada demais aconteceu comigo. Mas na hora do almoço precisei ir para o hospital porque estava com muita dor para pisar. O resultado foi uma entorse no pé esquerda que me deixará com a perna imobilizada por 5 dias (no mínimo) e andando de muletas e algum descanso nesses dias.

Desnecessário dizer que moto é perigoso, mas não por ser moto, mas porque temos motoristas indisciplinados e imprudentes dos dois lados.
Em 2012 tive um incidente com minha moto anterior o que me levou a 10 sessões de fisioterapia, fechado por um carro que furou o sinal vermelho.
Alguns diriam:
– Por que continua?
A questão é simples: Você volta porém com mais cautela do que anteriormente (ou pode desistir também). Mas você volta porque gosta de pilotar moto; Porque moto é mais racional no consumo de combustível e mais ágil do trânsito… Enfim, é uma decisão pessoal.

O fato é que precisei alugar um par de muletas e tive/estou tendo que passar por situações complicadas como, por exemplo, ir na farmácia na esquina da rua (já que moro sozinho) e qualquer buraco é um perigo para você… Ou então ter que se locomover para algum outro lugar, como um shopping…

Essa situação me fez pensar, com mais clareza, nas pessoas que tem que se virar todos os dias para se locomover com cadeiras de rodas ou muletas: Você se depara com calçadas altas, buracos, pessoas mal educadas que se utilizam de vagas reservadas para pessoas com necessidades especiais ou elevadores que são destinadas para esse tipo de necessidade.

Óbvio que nem tudo é ruim: Você consegue encontrar pessoas que seguram uma porta para você ou que tentam te ajudar de alguma forma e isso me dá alguma esperança.
Usualmente eu sou esse tipo de pessoa que tenta ajudar quando vejo que alguém precisa, porém infelizmente nem todos são assim.

Em pouco tempo eu vou voltar a andar normalmente (assim espero), porém a experiência valeu para mostrar que nem sempre seus problemas são os piores e que é válido você sempre tentar ajudar os outros. Isso pode não te trazer nenhum retorno paupável na hora, mas com certeza, alguém teve seu problema um pouco amenizado e acredito que você se sentirá melhor.

Por fim, gostaria que nossos representantes (prefeitos, governadores e afins) tentassem se locomover, por um dia apenas, de cadeira de rodas ou com ajuda de muletas e sentissem o problema que é encontrar calçadas desniveladas, buracos e afins…
E você que continua usando vagas e acessos destinados para esse fim, pense melhor, porque qualquer hora, pode ser você precisando…

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Segurado acidental em Portugal

Fato verídico em Cascais – Portugal

Transmito explicação de um operário português, acidentado no trabalho, à sua Cia. seguradora. (A Cia. de Seguros havia estranhado tantas fraturas e em uma só pessoa num mesmo acidente).
Chamo a atenção para o fato de que se trata de um caso verídico, cuja transcrição foi obtida através de cópia dos arquivos da cia. seguradora envolvida.
O caso foi julgado no Tribunal da Comarca de Cascais – Lisboa – Portugal.

À Cia. Seguradora.

Exmos. Senhores,

Em resposta ao seu gentil pedido de informações adicionais, esclareço: No quesito nr. 3 da comunicação do sinistro mencionei: “tentando fazer o trabalho sozinho” como causa do meu acidente. Em vossa carta V. Sas. me pedem uma explicação mais pormenorizada.
Pelo que espero sejam suficientes os seguintes detalhes:
Sou assentador de tijolos e no dia do acidente estava a trabalhar sozinho num telhado de um prédio de 6 (seis) andares. Ao terminar meu trabalho, verifiquei que havia sobrado 250 kg de tijolos. Em vez de os levar a mão para baixo (o que seria uma asneira), decidi colocá-los dentro de um barril, e, com ajuda de uma roldana, a qual felizmente estava fixada em um dos lados do edifício (mais precisamente no sexto andar), descê-lo até o térreo.
Desci até o térreo, amarrei o barril com uma corda e subi para o sexto andar, de onde puxei o dito cujo para cima, colocando os tijolos no seu interior.
Retornei em seguida para o térreo, desatei a corda e segurei-a com força para que os tijolos (250kg) descessem lentamente.
Surpreendentemente, senti-me violentamente alçado do chão e, perdendo minha característica presença de espírito, esqueci-me de largar a corda… Acho desnecessário dizer que fui içado do chão a grande velocidade.
Nas proximidades do terceiro andar dei de cara com o barril que vinha a descer. Ficam, pois, explicadas as fraturas do crânio e das clavículas.
Continuei a subir a uma velocidade um pouco menor, somente parando quando os meus dedos ficaram entalados na roldana. Felizmente, nesse momento já recuperara a minha presença de espírito e consegui, apesar das fortes dores, agarrar a corda. Simultaneamente, no entanto, o barril com os tijolos caiu ao chão, partindo seu fundo.
Sem os tijolos, o barril pesava aproximadamente 25kg. Como podem imaginar comecei a cair vertiginosamente, agarrado à corda, sendo que, próximo ao terceiro andar, quem
encontrei? Ora, pois, o barril que vinha a subire. Ficam explicadas as fraturas dos
tornozelos e as lacerações das pernas.
Felizmente, com a redução da velocidade de minha descida, veio minimizar os meus sofrimentos quando caí em cima dos tijolos embaixo, pois felizmente só fraturei três vértebras.
No entanto, lamento informar que ainda houve agravamento do sinistro, pois quando me
encontrava caído sobre os tijolos estava incapacitado de me sentar, porem pude
finalmente soltar a corda. O problema é que o barril, que pesava mais do que a corda,
desceu e caiu em cima de mim fraturando-me as pernas.
Espero ter fornecido as informações complementares que me haviam sido solicitadas.
Outrossim, esclareço que este relatório foi escrito por minha enfermeira, pois os meus dedos ainda guardam a forma da roldana.

Atenciosamente,
Antonio Manuel Joaquim Soares de Coimbra.