Roteiro de viagem: Buenos Aires – Argentina

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Nessas férias decidimos viajar para Buenos Aires, Argentina.

Como Marianna já conhecia, ficou a cargo dela montar um roteiro (e não decepcionou nem um pouco). Utilizamos milhas do programa Smiles para as passagens e acabamos pagando apenas as taxas.

Partimos do RioGaleão, pelo Terminal 2, com destino ao Aeropuerto Internacional de Ezeiza.

Estacionamento no Aeroporto ou taxi?
A primeira dica é ainda no Rio: Acesse o site do aeroporto e calcule o valor do estacionamento de acordo com o período da viagem.
Dependendo do período, vale mais a pena deixar o carro estacionando lá do que solicitar Uber ou Taxi. Levando em conta, obviamente, a comodidade de poder sair a qualquer momento do aeroporto sem ser roubado ou enrolado por algum taxista.

Dólares, Pesos ou Reais?
Sobre dinheiro, lemos várias dicas de que não valeria a pena comprar Pesos (Moeda vigente na Argentina), no Brasil.
Seria melhor levar Reais e trocar no Banco de la Nación Argentina. No próprio aeroporto, você pode trocar. O banco possuí uma agência dentro do aeroporto. Quando chegamos a cotação estava 1 Peso para R$ 4,60. Não precisa trocar todo o dinheiro que levar consigo, já que em alguns lugares é possível pagar diretamente com Reais (até Dólares).
Os Argentinos tem o hábito de transacionar / guardar outras moedas (principalmente Dólares). Existem, em alguns pontos da cidade, casas de câmbio e até mesmo pessoas, na rua, oferecendo compra / venda de Peso. Faça por sua conta e risco. Nós preferimos comprar no banco nacional e comprar algumas coisas diretamente com Reais.
E várias vezes paguei restaurantes e cafés com cartão de crédito. Mesmo com IOF, ainda achei que valeu a pena.

Como sair do aeroporto?
Marianna já tinha levantado que a melhor forma de sair do aeroporto era utilizando os carros da Taxi Ezeiza, os mais confiáveis. Há um quiosque dentro do aeroporto e você já paga pelo serviço ali mesmo. Para nosso destino, foram 700 Pesos.
Você pode agendar transfer também, mas não sei os valores.

Clima?
Argentina nessa época do ano tem uma temperatura muito agradável (pelo menos para nós :P), girando por volta de 17 graus. Leve uma roupa mais quente… Somente no último dia a previsão era de que o tempo iria “fechar” e chover, porém só pegamos dias ensolarados. Perfeito.

Que hotel escolhemos?
O Hotel escolhido foi o Callao Suites.
Era um apart-hotel bem espaçoso, onde você tinha a sua disposição geladeira, fogão, mesa, talheres, copos, taças, etc.

O Check-in deve ser feito às 14 horas e, diferente dos EUA ou do Brasil, eles não deixaram nos acomodar antes desse período. Chegamos no hotel por volta de 13 horas mas deveríamos aguardar até as 14 horas para entrar no quarto. Um ponto bom é que eles permitem que você deixe suas malas guardadas em segurança, então pudemos dar uma volta e almoçar sem carregar as malas. O mesmo serviço de guarda de malas é oferecido no Check-out (sempre sem nenhum custo).

Gostamos muito das acomodações. O ponto alto era a cama King Size. Uma coisa que me incomodou é que o hotel fornecia café da manhã de uma forma que não estamos acostumados: Vouchers para serem usados em uma cafeteria perto, a Bonafide (tem uma rede de lojas na Argentina).
Mas voltando ao ponto que me incomodou (nada absurdo, convenhamos), foi o fato de ter somente uma opção, no café da manhã: “café con leche con 3 medias lunas”. Para quem não sabe, Media luna é basicamente um croissant, porém a massa é um pouco diferente. Mais detalhes sobre Media luna, aqui.

Tendo em vista que deveríamos aguardar o horário de check-in, aproveitamos para almoçar.

Um dos restaurantes que Marianna tinha colocado na Lista, era o El Club de la milanesa. Esse restaurante possui algumas lojas pela cidade e ela tinha anotado o endereço de uma delas, porém, para nossa sorte havia um bem em frente ao hotel. O restaurante tem boa comida, aceita cartões e o atendimento foi bem legal, porém lento.

Aliás, o atendimento de restaurantes argentinos, no geral, foi lento. Não sei se estou “mal acostumado” com o serviço brasileiro.
Se o atendimento um pouco mais lento acabou sendo um ponto negativo, por outro lado, no geral eles se esforçam para, pelo menos, falar “portunhol” ao perceber que você não é nativo, o que foi bem legal.
Ao final da refeição, tentamos achar algum lugar para comprar um chip pré-pago. Afinal, precisamos fazer check-ins no 4sq, ou stories no Instagram (casal conectado) :P

E a internet?
Sobre internet, só localizamos uma empresa (Personal) no Aeroporto e tentaram nos “empurrar” a compra de um chip + plano de internet e ligações por $ 400 Pesos. Bom, para quem não sabe, a Argentina está com a moeda muito desvalorizada frente ao Real ( 1 Peso ~ R$ 4,6) e mais ainda comparado ao Dolar (1 Peso ~ U$ 17), por isso, não se assuste com as cifras, mas é bom ficar de olho.

Sobre o Chip, achamos o valor muito caro e acabamos por esperar comprar um Pré-pago em um Kiosco ou banca de Jornal.

Kioscos? O que é isso?
Há praticamente um ou dois kioscos, em cada rua. Kioscos são lojas que vendem chocolates, águas, cigarros, etc. e, geralmente, possuem um totem onde é possível comprar créditos para qualquer operadora (Personal, Claro, Movistar, etc). Porém eles não vendem Chips (??). Compramos um Chip por 40 Pesos em uma banca de Jornal em frente ao Hotel e no Kiosco inserimos alguns Pesos. Na Movistar era possível inserir, por exemplo, 30 Pesos (~ R$ 7) por 300 Mb a serem utilizados em até 3 dias. Ainda sobre internet, a maioria dos restaurantes oferece internet wireless. Basta pedir a senha.

Após o almoço e a saga pelo Chip, voltamos para o Hotel para Check-in e nos prepararmos para o único evento agendado do dia de chegada: O jantar com o show de Tango no Tango Porteño.

<3

Marianna tem um dom muito melhor que o meu de escrever e deu mais detalhes sobre essa parte da viagem, aqui. Passa lá e leia o que ela escreveu! :)

Da minha parte, o que posso dizer é que valeu muito a pena. Marianna tinha comprado o evento pela decolar.com e estava incluso:
– Transfer (ida e volta para o hotel);
– jantar com entrada, prato principal e sobremesa; bebida liberada (bebemos vinho a noite inteira!)
– E o show propriamente dito, com quase 2 horas de apresentação.

Antes do jantar, alguns dançarinos e fotógrafos oferecem tirar fotos para posteriormente te cobrar algo em torno de 400 Pesos por foto.
Se você gostar da foto, é uma lembrança legal.
Não estava inclusa a gorjeta. O garçom nos informou, que se achássemos que tínhamos sido bem atendidos, poderíamos pagar.

No dia seguinte, não utilizamos os vouchers de café da manhã, porque estava em nossa lista conhecer o Gran Cafe Tortoni. Basicamente, a Confeitaria Colombo Argentina :P

Cafe Tortoni

Eles tem um menu extenso e ficou difícil de escolher algo (porque tenho uma mentalidade gorda!). Além do fato de termos ficado na dúvida se comeríamos algo próximo de café da manhã ou almoço, já que mantivemos a tradição de sair tarde do hotel, quando estamos viajando :)

Após o Café, fomos dar um giro pela Cidade e conhecer alguns pontos como a Casa Rosada.

Casa Rosada

Uma das vantagens do Hotel em que ficamos, era a localização dele: foi possível caminhar por muitos lugares sem gastar dinheiro com taxi ou Uber. Mas essa dica é válida se você, assim como nós, curte andar pelos lugares.

Mais para o meio da tarde, chegamos a Puerto Madero, um bairro mais nobre e renovado de Buenos Aires, com uma marina e, em cada lado das margens existem vários restaurantes legais.

Puerto Madero

Depois de caminharmos por quase toda a extensão, acabamos optando pelo Bahía Madero. Esse restaurante é um pouco mais caro porém fomos muito bem servidos e muito bem atendidos. E, como diz a Marii, se uma tem uma coisa que Argentino sabe fazer (além de alfajor e vinho), é acertar o ponto da carne! Uma observação sobre carnes, é o corte delas. Você não irá encontrar picanha, etc. Pelo menos não com esse nome ou tipo de corte. Mais detalhes, aqui. Ainda sobre o Bahía Madero, o valor final da conta deu mais de 1000 Pesos, porém convertendo (se eu ganho em Reais, conversão direta vale), está dando algo próximo de R$ 180. O que, para 2 pessoas no Brasil, não é tão absurdo.

No dia seguinte, acordamos (tarde novamente rs), e tomamos o café oferecido pelo Hotel no Bonafide e partimos para caminhar pela cidade.

O roteiro do dia consistiu em:
Cementerio de la Recoleta. Sim, visitamos um cemitério! :)
Personalidades Argentinas, como a Eva Perón, ex-primeira-dama da Argentina, estão enterrados lá.

Plaza de las Naciones Unidas. No meio da praça existe a Floralis Genérica. Um lugar muito bonito para dar uma relaxada. Muitas pessoas estavam deitadas pela grama.

Jardín Japonés: Um lugar lindo demais. Reserve algumas horas para passear pelo local.
O preço da entrada são 95 Pesos ( ~ R$ 20).
Possuí restaurante e lojinhas para comer algo.

Ao final desses passeios, decidimos ir ao Las Cabras, um restaurante que nos foi sugerido.
Fomos andando até o lugar e no meio do caminho achamos o Distrito Arcos. Teoricamente um Outlet (na minha opinião, preços altos).
Sobre o restaurante, o menu é variado e os preços BEM mais em conta.
Uma dica: o menu não informa se são pratos para uma ou duas pessoas, porém duas pessoas conseguem comer tranquilamente um! Infelizmente (ou felizmente rs), descobrimos isso somente quando os pratos chegaram. Isso, porque já tínhamos pedido algumas linguicinhas e pão de entrada (e havíamos repetido). :P
Um ponto negativo desse restaurante foi o de não terem aceitado cartão de crédito, embora a máquina de cartões estivesse em cima do balcão… O que nos deixou meio chateados.
Quando decidimos ir embora, já era noite e pedimos um Uber para voltar para o Hotel. É super tranquilo pedir Uber (ou Cabify) em Buenos Aires. Mas fique de olho na taxa dinâmica, as vezes eles “somem” e a taxa sobe.

No dia seguinte, fomos na Feria de San Pedro Telmo, antes passando pela Plaza del Congreso, porém ela estava fechada para obras.

A feira ocorre todos os domingos e é enorme! Você pode encontrar artesanato, antiguidades, etc e vários expositores aceitam Reais como pagamento (com eles o peso passava para: 1 Peso para R$ 5).
Se você for correr toda a feira, vai gastar um bom tempo. Se quiser descansar um pouco e for adepto do Starbucks, como nós, tem um bem localizado na praça. :)

A próxima parada do dia era o Caminito e posteriormente, La Bombonera (A visita ao estádio fico devendo para uma próxima viagem :P).

Caminito

Uma observação: vá de taxi / uber / Cabify para o Caminito e não a pé. Essa dica foi dada até por locais. Apesar da impressão de que Buenos Aires é mais segura do que Rio de Janeiro, isso não se aplica a 100% da cidade, e o Caminito fica na área mais periférica da cidade.
A região do Caminito estava bem cheia, provavelmente por ser final de semana, e estava agradável de caminhar.

Lá você pode encontrar à venda roupas, doces, entre outras coisas. Reserve algum tempo para olhar todas as lojas / boxes.
Se quiser almoçar pelo Caminito, existem vários restaurantes com mesas pela rua “principal”, porém nenhum deles estava aceitando cartões e por isso decidimos voltar à região de La Recoleta (perto do cemitério). Lá, já tínhamos visto vários restaurantes.

Optamos pelo Clark’s e pedimos a famosa parrilla argentina, um prato parecido com o famoso churrasco misto brasileiro, porém com outras carnes.
O restaurante não é muito caro e o prato não decepcionou. Aceitam cartões! :)

Ao final, atravessamos a rua e fomos no Recoleta Mall/. A idéia era comprar alfajor na Havana!! <3
Aliás, em Buenos Aires as lojas que você poderá encontrar em quase toda esquina: Starbucks, Havana e Kioscos…

Na volta para o hotel, ainda paramos em um Carrefour para comprar algumas garrafas de vinho. Sim! Precisávamos comprar alguns Malbecs :) e não nos decepcionamos em comprar no mercado, após lermos algumas dicas de bons vinhos por preços em conta. Para se ter noção, 5 garrafas de vinho deram algo em torno de R$ 100. Somente uma delas, olhando por alto na internet, sairia a R$ 50.

A noite terminou no hotel, com uma garrafa de Latitud 33. :)

O último dia em Buenos Aires foi mais livre. Como tínhamos que liberar o quarto 10h, acordamos cedo (as malas já estavam praticamente fechadas desde a noite anterior), e nos preparamos para descer.

Como o voo estava agendado para 17h, teríamos ainda um bom pedaço do dia para fazer algo. Eu já havia agendado um carro do Uber para 13h30, logo, deixamos as malas na recepção do hotel e fomos caminhar.

Aproveitamos e paramos para comprar mais algumas coisas em uma Milka Store e em uma Havana <3

Também conhecemos:
Monumento a los Caídos en Malvinas

Torre Monumental

Estación Retiro

Após o passeio retornamos ao Hotel, aguardamos alguns minutos e o carro da Uber chegou e nos levou ao aeroporto. Chegamos no horário desejado, apesar de algumas manifestações pela cidade, que fez com que tivéssemos que desviar nossa rota para o aeroporto. E ainda encontramos o balcão da Gol fechado enquanto uma manifestação ocorria dentro do saguão do aeroporto! Mas nada de preocupante ocorreu. Fizemos nosso Check-In e despacho das malas e fomos para a área de embarque.

O resumo é que a viagem foi sensacional. Andamos bastante, tiramos bastante fotos, comemos bem e guardamos boas lembranças.
Não sei se indicaria uma viagem dessas para pessoas com crianças (pelo menos não daria certo fazer como fizemos, andando bastante a pé…). Não espere, apesar do câmbio estar nos favorecendo, que seja uma viagem barata. Os valores gastos com refeições foram comparáveis a restaurantes médios para cima, do Rio (que não são baratos).

No mais, curta a cidade! Vá a um show de tango, prove os doces, vinhos e carnes argentinos, visite os pontos turísticos! E você irá encontrar, no geral, pessoas satisfeitas e empenhadas em te entender mesmo que você não fale uma palavra de espanhol!

:)

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De volta para casa

Ontem, voltando para casa, me lembrei de 1992.
Em 1992 eu voltava para o Rio, depois de morar quase 2 anos em Portugal. E uma das memórias que ficou na minha cabeça foi o voo da volta. Nessa época as pessoas ainda batiam palmas quando o avião tocava o solo, provavelmente, um misto de felicidade por ter chegado com o fato de nada grave ter ocorrido no voo.

A memória mais marcante é a de já estar quase pousando. De passar pela cidade pelo alto.

Olhar essa cidade tão linda, do alto, sempre me faz bem.

Eu lembrei disso ontem, porque na volta para casa fui pela Estrada Grajaú Jacarepaguá. Um dos meus caminhos preferidos (mas não o único que pego para ir ou voltar para casa). Preferido porque em certo momento, quando já estou descendo do lado do Grajaú, eu tenho visão de uma boa parte da cidade. Já iluminada. E de longe, continuo achando ela linda. Digo de longe, porque só assim consigo ignorar as suas mazelas.
Falamos muito, principalmente nos últimos dias, da corrupção dos nossos representantes políticos mas esquecemos que nós colocamos eles lá (e se calhar muitos de nós faríamos pior do que eles…). Falamos desse assunto mas esquecemos que somos nós quem jogamos o lixo pela cidade, que vira enchente quando chove forte; Nos esquecemos que somos nós quem dirigimos achando que somos somente nós na rua, naquele momento; Que discutimos com outras pessoas e brigamos por muito pouco ou quase nada…

Acho que por isso, fico pensando em 1992. Na volta pra casa. No Rio de cima. Porque nessa época eu era garoto e não via o mundo como vejo hoje.
Até porque, mesmo com todos os problemas da época, o Rio era outro, também.

Final de ano e retrospectiva de 2015

Chega o final do ano e sempre vem à mente aquele “mini review” de tudo que aconteceu.
Não posso negar que os dois últimos anos foram bem diferentes dos anteriores, em grande parte, por minha iniciativa em mudar radicalmente o rumo da minha vida.

Fato que 2015 foi definitivamente melhor que 2014.
2014 foi aquele ano em que você resolve que era hora de mudar e vai lá e muda. E eu fiz isso. Não me arrependo mas que foi um ano complicado, com certeza foi.
2015 foi melhor. Bem melhor.

No aspecto profissional, tive um feedback bom do meu trabalho. Continuo amando o trabalho que faço e apesar da empresa não ser perfeita, ainda continuo gostando muito de trabalhar nela.
As responsabilidades aumentaram nesse ano e espero que continuem aumentando no ano que vem.
Nas duas últimas semana, como geralmente se faz, as equipes de desenvolvimento da firma “tiram o pé” para evitar dores de cabeça durante o recesso, então consegui a oportunidade de fazer uma avaliação 360 com os analistas que trabalham comigo na equipe. Para mim foi importante ouvir os aspectos ruins da forma como faço meu trabalho (os bons também, claro).
Apontar defeitos nos outros é algo relativamente fácil. Ouvir os seus defeitos e tentar corrigir depois é um pouco mais complexo. Até porque, nem sempre você entende que aquele ponto era um defeito.

Lembro que, por volta de, 2009/2010, a empresa organizou um evento e contratou outra empresa para fazer um trabalho de aperfeiçoamento entre equipes e fizemos um feedback (como tentei fazer semana passada na equipe) e um dos pontos que todos levantaram sobre mim era a de que eu reclamava demais. Levei aquilo comigo e tentei melhor. Sério.
No último feedback, pelo menos um dos que me avaliou em 2009/2010, falou que melhorei muito nesse ponto. (Já é um começo, vai…) :)

Sobre 2016? O que pretendo é continuar colocando minha casa e minha vida em ordem. Tentar voltar a estudar (Um MBA a caminho?). Resumindo: evoluir.

Uma experiência para refletir…

Na quinta-feira, indo para o trabalho, tive um acidente de moto.
Eu estava ultrapassando um carro pela faixa da esquerda, quando o mesmo “lembrou” que queria entrar na rua da esquerda e virou sem indicação alguma.
No momento, eu estava no “meio do carro” e não tive tempo de parar ou terminar de ultrapassar ou até mesmo seguir o carro, simplesmente fui jogado pra esquerda e cai.
Acabei no chão e precisei de ajuda de um motociclista, que parou, para levantar a moto que estava em cima da minha perna.
Na hora, o cara também parou, perguntou se estava tudo bem e olhei minha situação:
A moto ficou com alguns arranhões e eu estava com uma escoriação acima da cintura do lado esquerdo; um ardido na coxa esquerda e o pé doendo (mas na hora nada demais).
Ficamos alguns minutos ali porém dispensei o cara e segui, achando que daria para ir pro trabalho. Não andei 3 minutos e decidi voltar para casa porque o pé estava doendo em cada passagem de marcha.
Usualmente ando com jaqueta, bota, luvas, capacete e joelheiras e por isso, graças a Deus, nada demais aconteceu comigo. Mas na hora do almoço precisei ir para o hospital porque estava com muita dor para pisar. O resultado foi uma entorse no pé esquerda que me deixará com a perna imobilizada por 5 dias (no mínimo) e andando de muletas e algum descanso nesses dias.

Desnecessário dizer que moto é perigoso, mas não por ser moto, mas porque temos motoristas indisciplinados e imprudentes dos dois lados.
Em 2012 tive um incidente com minha moto anterior o que me levou a 10 sessões de fisioterapia, fechado por um carro que furou o sinal vermelho.
Alguns diriam:
– Por que continua?
A questão é simples: Você volta porém com mais cautela do que anteriormente (ou pode desistir também). Mas você volta porque gosta de pilotar moto; Porque moto é mais racional no consumo de combustível e mais ágil do trânsito… Enfim, é uma decisão pessoal.

O fato é que precisei alugar um par de muletas e tive/estou tendo que passar por situações complicadas como, por exemplo, ir na farmácia na esquina da rua (já que moro sozinho) e qualquer buraco é um perigo para você… Ou então ter que se locomover para algum outro lugar, como um shopping…

Essa situação me fez pensar, com mais clareza, nas pessoas que tem que se virar todos os dias para se locomover com cadeiras de rodas ou muletas: Você se depara com calçadas altas, buracos, pessoas mal educadas que se utilizam de vagas reservadas para pessoas com necessidades especiais ou elevadores que são destinadas para esse tipo de necessidade.

Óbvio que nem tudo é ruim: Você consegue encontrar pessoas que seguram uma porta para você ou que tentam te ajudar de alguma forma e isso me dá alguma esperança.
Usualmente eu sou esse tipo de pessoa que tenta ajudar quando vejo que alguém precisa, porém infelizmente nem todos são assim.

Em pouco tempo eu vou voltar a andar normalmente (assim espero), porém a experiência valeu para mostrar que nem sempre seus problemas são os piores e que é válido você sempre tentar ajudar os outros. Isso pode não te trazer nenhum retorno paupável na hora, mas com certeza, alguém teve seu problema um pouco amenizado e acredito que você se sentirá melhor.

Por fim, gostaria que nossos representantes (prefeitos, governadores e afins) tentassem se locomover, por um dia apenas, de cadeira de rodas ou com ajuda de muletas e sentissem o problema que é encontrar calçadas desniveladas, buracos e afins…
E você que continua usando vagas e acessos destinados para esse fim, pense melhor, porque qualquer hora, pode ser você precisando…

[Piada] A primeira depilação

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
– Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
– Vai depilar o quê?
– Virilha.
– Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
– Cavada mesmo.
– Amanhã, às – Deixa eu ver – 13h?
– Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.
Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
– Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas.
Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era
O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
– Quer bem cavada?
– é – é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
– Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
– Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
– Pode abrir as pernas.
– Assim?
– Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
– Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
– Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa, que garota estranha.
Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.
Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
– Quer que tire dos lábios?
– Não, eu quero só virilha, bigode não.
– Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
– Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
– Olha, tá ficando linda essa depilação.
– Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”.
Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
– Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
– Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
– Vamos ficar de lado agora?
– Hein?
– Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
– Segura sua bunda aqui?
– Hein?
– Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava De cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
– Tudo bem, Pê?
– Sim, sonhei de novo com o cú de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera.
Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo.
Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
– Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
– Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
– Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
– Máquina de quê?!
– Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
– Dói?
– Dói nada.
– Tá, passa essa merda.
– Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
– Prontinha. Posso passar um talco?
– Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
– Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar – namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.
Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

28 lições deixadas por um pai para seus filhos antes de morrer

Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy.
Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai mesmo à distância.
Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros.
Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los.

Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando a mulher, Mandy, Thomas, então com 5 anos, e Lucy, de 1 ano e meio.
Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa.
E, no mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. Por acaso, Mandy encontrou um documento em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização“. Abri e, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, descobri que eram seus pontos para viver uma vida boa e feliz, diz Mandy ao jornal Daily Mail.

Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de bungee-jump da Ponte Harbour, em Sidney, ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização.
Mandy diz que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul.

O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens.
Traduzo aqui as palavras de Paul para seus filhos e que agora servem de inspiração não só para eles, mas para todos que as leem:

“Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem.
Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e as aspirações que fazem das pessoas felizes e bem-sucedidas.
Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias ideias agora, a fórmula é bem simples.
As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês.
Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse.
Amo muito vocês. Não se esqueçam disso.

– Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.

– Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo.

– Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa.

– Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.

– Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.

– Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente.

– Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.

– Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.

– Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador.

– Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.

– Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer ‘sim’. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer ‘não’. Seus amigos vão gostar de você por isso.

– Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.

– Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito.

– Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.

– Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.

– Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.

– Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria.

– Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.

– Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções.

– Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.

– Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação.

– Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.

– Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.

– Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas são corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.

– Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.

– Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.

– Aprenda um idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-la em sua língua materna; mas pergunte se ela fala inglês!

– E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela.

Amo vocês com todo meu coração,
Papai”

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Fonte http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2011/07/23/pai-deixa-28-licoes-de-vida-aos-filhos-antes-de-morrer/

[Texto] Reunião de pais

…Era quarta-feira, 8:00 hs. Cheguei a tempo na escola do meu filho – “Não se esqueçam de vir à reunião de amanhã, é obrigatória” – Foi o que a professora tinha dito no dia anterior.

– “Que é o que essa professora pensa! Acha que podemos dispor facilmente do tempo que ela diz? Se ela soubesse quanto era importante a reunião que eu tinha as 8:30!” Dela dependia uma boa negociação e… tive que cancela-la!

Lá estávamos nós, mães e pais, e a professora.

Começou a tempo, agradeceu nossa presença e começou a falar. Não lembro o que ela dizia, minha mente estava pensando em como iria resolver esse negócio tão importante, já me imaginava comprando aquela televisão nova, com o dinheiro.

“João Rodrigues!” – escutei ao longe – “Não está o pai de João?” – diz a professora.

“Sim, eu estou aqui” – contestei indo para receber o boletim escolar do meu filho.

Voltei pro meu lugar e disse ao abrir o boletim…. – “Para isso foi que eu vim???? Que é isso???” O boletim estava cheio de seis e setes. Guardei rapidamente, para que ninguém pudesse ver como tinha se saído meu filho.

De volta para casa, aumentava ainda mais minha raiva, cada vez que pensava:

“Mas, se eu dou tudo para ele, não tem faltando nada!

Agora ele vai ver!” Cheguei, entrei a casa, fechei a porta de uma batida e gritei: “Vem aqui, João!”

João estava no quintal, correu para abraçar-me. – “Papai!”

– “Nada de papai!” o afastei de mim, tirei o meu cinturão e não lembro quantas vezes bati ao mesmo tempo em que falava o que pensava dele.

– “Agora vai para o teu quarto!”

João foi chorando, sua face estava vermelha e a sua boca tremia.

Minha esposa não falou nada, só mexeu a cabeça num gesto de negação e entrou na cozinha.

Quando fui para cama, já mais tranquilo, minha esposa me entregou o boletim do João, que tinha ficado dentro do meu casaco, e disse:

– “Leia devagar e depois pense numa decisão…”

Bem no começo estava escrito: BOLETIM DO PAPAI.

Pelo tempo que teu pai dedica a conversar contigo antes de dormir: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para brincar contigo: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te ajuda com as tarefas: 6

Pelo tempo que teu pai dedica par te levar de passeio com a família: 7

Pelo tempo que teu pai dedica para te ler um livro antes de dormir: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te abraçar e te beijar: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para assistir televisão contigo: 7

Pelo tempo que teu pai dedica para escutar tuas dúvidas ou problemas: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te ensinar coisas: 7

Média: 6,22

As crianças tinham qualificado os seus pais. O meu deu para mim 6 e 7 (sinceramente eu tinha merecido 5 ou menos)

Me levantei e corri para o quarto dele, o abracei e chorei.

Queria poder voltar no tempo… mas isso não é possível.

João abriu os olhos, ainda com os olhos inchados pelas lagrimas, sorriu, me abraçou e disse:

– “Eu te amo papai!” Fechou os olhos e dormiu.

Acordemos pais!!! Aprendamos a dar o valor certo aquilo que é mais importante em relação aos nossos filhos, já que disso depende o sucesso ou fracasso na suas vidas.

Já pensou qual seria a ‘nota’ que seu filho daria para você hoje?