[Piada] A primeira depilação

“Tenta sim. Vai ficar lindo.”

Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
– Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
– Vai depilar o quê?
– Virilha.
– Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
– Cavada mesmo.
– Amanhã, às – Deixa eu ver – 13h?
– Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui.
Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona.
Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado.
Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas.
Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que chegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
– Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas.
Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era
O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
– Quer bem cavada?
– é – é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
– Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
– Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei. De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
– Pode abrir as pernas.
– Assim?
– Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
– Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
– Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa, que garota estranha.
Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes. O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope.
Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer.
Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
– Quer que tire dos lábios?
– Não, eu quero só virilha, bigode não.
– Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios ? Putz, que idéia. Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
– Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
– Olha, tá ficando linda essa depilação.
– Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. “Me leva daqui, Deus, me teletransporta”.
Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
– Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
– Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la.
Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
– Vamos ficar de lado agora?
– Hein?
– Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
– Segura sua bunda aqui?
– Hein?
– Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava De cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
– Tudo bem, Pê?
– Sim, sonhei de novo com o cú de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cús por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá? Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera.
Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo.
Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
– Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
– Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
– Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
– Máquina de quê?!
– Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
– Dói?
– Dói nada.
– Tá, passa essa merda.
– Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
– Prontinha. Posso passar um talco?
– Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
– Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar – namorar. .. eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais.
Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso.
Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.

[Texto] 28 lições deixadas por um pai para seus filhos antes de morrer

Quando soube que tinha poucos meses de vida por causa de um câncer, o professor de gramática inglês Paul Flanagan só pensou em seus filhos, Thomas e Lucy.
Em vez de sentir piedade de si mesmo ou entregar-se à tristeza, ele usou seus últimos dias para tentar ser um bom pai mesmo à distância.
Paul escreveu cartas, deixou mensagens gravadas em DVD e até comprou presentes para ser entregues às crianças em seus aniversários futuros.
Separou também seus livros preferidos e, dentro deles, deixou bilhetes dizendo por que havia gostado de lê-los.

Em novembro de 2009, aos 45 anos, Paul morreu por causa do melanoma, deixando a mulher, Mandy, Thomas, então com 5 anos, e Lucy, de 1 ano e meio.
Quase dois anos depois, ele continua presente com suas mensagens e fotos espalhadas por toda a casa.
E, no mês passado, a família ganhou mais uma lembrança de Paul. Por acaso, Mandy encontrou um documento em seu antigo computador intitulado “Sobre encontrar a realização“. Abri e, com lágrimas escorrendo pelo meu rosto, descobri que eram seus pontos para viver uma vida boa e feliz, diz Mandy ao jornal Daily Mail.

Quando alguém recebe a notícia de que tem poucos meses de vida, decide que sua vida não vai ser completa se não pular de bungee-jump da Ponte Harbour, em Sidney, ou não tiver visitado o Grand Canyon. Esse não era Paul. Tudo que importava para ele estava bem aqui. Ele viveu e morreu de acordo com suas próprias regras, e sei que encontrou sua própria realização.
Mandy diz que a carta é uma reprodução fiel dos valores e do bom humor de Paul.

O professor resumiu as reflexões que nortearam seu modo de viver em 28 itens.
Traduzo aqui as palavras de Paul para seus filhos e que agora servem de inspiração não só para eles, mas para todos que as leem:

“Nessas últimas semanas, depois de saber de meu diagnóstico terminal, procurei encontrar em minha alma e em meu coração maneiras de estar em contato com vocês enquanto vocês crescem.
Estive pensando sobre o que realmente importa na vida, e os valores e as aspirações que fazem das pessoas felizes e bem-sucedidas.
Na minha opinião, e vocês provavelmente têm suas próprias ideias agora, a fórmula é bem simples.
As três virtudes mais importantes são: lealdade, integridade e coragem moral. Se aspirarem a elas, seus amigos os respeitarão, seus empregadores o manterão no emprego, e seu pai será muito orgulhoso de vocês.
Estou dando conselhos a vocês. Esses são os princípios sobre o quais tentei construir a minha vida e são exatamente os que eu encorajaria vocês a abraçar, se eu pudesse.
Amo muito vocês. Não se esqueçam disso.

– Seja cortês, pontual, sempre diga “por favor” e “obrigado”, e tenha certeza de usar o garfo e a faca de maneira correta. Os outros decidem como tratá-los de acordo com as suas maneiras.

– Seja generoso, atencioso e tenha compaixão quando os outros enfrentarem dificuldades, mesmo que você tenha seus próprios problemas. Os outros vão admirar sua abnegação e vão ajudá-lo.

– Mostre coragem moral. Faça o que é certo, mesmo que isso o torne impopular. Sempre achei importante ser capaz de me olhar no espelho toda manhã, ao fazer a barba, e não sentir nenhuma culpa ou remorso. Parto deste mundo com a consciência limpa.

– Mostre humildade. Tenha a sua opinião, mas pare para refletir no que o outro lado está dizendo, e volte atrás quando souber estar errado. Nunca se preocupe em perder a personalidade. Isso só acontece quando se é cabeça-dura.

– Aprenda com seus erros. Você vai cometer muitos, então os use como uma ferramenta de aprendizado. Se você continuar cometendo o mesmo erro ou se meter em problema, está fazendo algo errado.

– Evite rebaixar alguém para outra pessoa; isso só vai fazer você ser visto como mau. Se você tiver um problema com alguém, diga a ela pessoalmente.

– Suspenda fogo! Se alguém importuná-lo, não reaja imediatamente. Uma vez que você disse alguma coisa, não pode mais retirá-la, e a maioria das pessoas merece uma segunda chance.

– Divirta-se. Se isso envolve assumir riscos, assuma-os. Se for pego, coloque suas mãos para cima.

– Doe para a caridade e ajude os menos afortunados que você: é fácil e muito recompensador.

– Sempre olhe para o lado bom! O copo está meio cheio, nunca meio vazio. Toda adversidade tem um lado bom, se você procurar.

– Faça seu instinto pensar sempre sempre em dizer ‘sim’. Procure razões para fazer algo, não as razões para dizer ‘não’. Seus amigos vão gostar de você por isso.

– Seja gentil: você conseguirá mais do que você quer se der ao outro o que ele deseja. Comprometer-se pode ser bom.

– Sempre aceite convites para festas. Você pode não querer ir, mas eles querem que você vá. Mostre a eles cortesia e respeito.

– Nunca abandone um amigo. Eu enterraria cadáveres por meus amigos, se eles me pedissem por isso eu os escolhi tão cuidadosamente.

– Sempre dê gorjeta por um bom serviço. Isso mostra respeito. Mas nunca recompense um mau serviço. Um serviço ruim é um insulto.

– Sempre trate aqueles que conhecer como seu igual, estejam eles acima ou abaixo de seu estágio na vida. Para aqueles acima de você, mostre deferência, mas não seja um puxa-saco.

– Sempre respeite a idade, porque idade é igual a sabedoria.

– Esteja preparado para colocar os interesses de seu irmão à frente dos seus.

– Orgulhe-se de quem você é e de onde você veio, mas abra a sua mente para outras culturas e línguas. Quando começar a viajar (como espero que faça), você aprenderá que seu lugar no mundo é, ao mesmo tempo, vital e insignificante. Não cresça mais que os seus calções.

– Seja ambicioso, mas não apenas ambicioso. Prepare-se para amparar suas ambições em treinamento e trabalho duro.

– Viva o dia ao máximo: faça algo que o faça sorrir ou gargalhar, e evite a procrastinação.

– Dê o seu melhor na escola. Alguns professores se esquecem de que os alunos precisam de incentivos. Então, se o seu professor não o incentivar, incentive a si mesmo.

– Sempre compre aquilo que você pode pagar. Nunca poupe em hotéis, roupas, sapatos, maquiagem ou joias. Mas sempre procurem um bom negócio. Você recebe por aquilo que paga.

– Nunca desista! Meus dois pequenos soldados não têm pai, mas são corajosos, têm um coração grande, estão em forma e são fortes. Vocês também são amados por uma família e amigos generosos. Vocês fazem o seu próprio destino, meus filhos, então lutem por ele.

– Nunca sinta pena de si mesmo, ou pelo menos não sinta por muito tempo. Chorar não melhora as coisas.

– Cuide de seu corpo que ele vai cuidar de você.

– Aprenda um idioma, ou pelo menos tente. Nunca comece uma conversa com um estrangeiro sem primeiro cumprimentá-la em sua língua materna; mas pergunte se ela fala inglês!

– E, por fim, tenha carinho por sua mãe, e cuide muito bem dela.

Amo vocês com todo meu coração,
Papai”

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Fonte http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2011/07/23/pai-deixa-28-licoes-de-vida-aos-filhos-antes-de-morrer/

[Texto] Reunião de pais

…Era quarta-feira, 8:00 hs. Cheguei a tempo na escola do meu filho – “Não se esqueçam de vir à reunião de amanhã, é obrigatória” – Foi o que a professora tinha dito no dia anterior.

– “Que é o que essa professora pensa! Acha que podemos dispor facilmente do tempo que ela diz? Se ela soubesse quanto era importante a reunião que eu tinha as 8:30!” Dela dependia uma boa negociação e… tive que cancela-la!

Lá estávamos nós, mães e pais, e a professora.

Começou a tempo, agradeceu nossa presença e começou a falar. Não lembro o que ela dizia, minha mente estava pensando em como iria resolver esse negócio tão importante, já me imaginava comprando aquela televisão nova, com o dinheiro.

“João Rodrigues!” – escutei ao longe – “Não está o pai de João?” – diz a professora.

“Sim, eu estou aqui” – contestei indo para receber o boletim escolar do meu filho.

Voltei pro meu lugar e disse ao abrir o boletim…. – “Para isso foi que eu vim???? Que é isso???” O boletim estava cheio de seis e setes. Guardei rapidamente, para que ninguém pudesse ver como tinha se saído meu filho.

De volta para casa, aumentava ainda mais minha raiva, cada vez que pensava:

“Mas, se eu dou tudo para ele, não tem faltando nada!

Agora ele vai ver!” Cheguei, entrei a casa, fechei a porta de uma batida e gritei: “Vem aqui, João!”

João estava no quintal, correu para abraçar-me. – “Papai!”

– “Nada de papai!” o afastei de mim, tirei o meu cinturão e não lembro quantas vezes bati ao mesmo tempo em que falava o que pensava dele.

– “Agora vai para o teu quarto!”

João foi chorando, sua face estava vermelha e a sua boca tremia.

Minha esposa não falou nada, só mexeu a cabeça num gesto de negação e entrou na cozinha.

Quando fui para cama, já mais tranquilo, minha esposa me entregou o boletim do João, que tinha ficado dentro do meu casaco, e disse:

– “Leia devagar e depois pense numa decisão…”

Bem no começo estava escrito: BOLETIM DO PAPAI.

Pelo tempo que teu pai dedica a conversar contigo antes de dormir: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para brincar contigo: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te ajuda com as tarefas: 6

Pelo tempo que teu pai dedica par te levar de passeio com a família: 7

Pelo tempo que teu pai dedica para te ler um livro antes de dormir: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te abraçar e te beijar: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para assistir televisão contigo: 7

Pelo tempo que teu pai dedica para escutar tuas dúvidas ou problemas: 6

Pelo tempo que teu pai dedica para te ensinar coisas: 7

Média: 6,22

As crianças tinham qualificado os seus pais. O meu deu para mim 6 e 7 (sinceramente eu tinha merecido 5 ou menos)

Me levantei e corri para o quarto dele, o abracei e chorei.

Queria poder voltar no tempo… mas isso não é possível.

João abriu os olhos, ainda com os olhos inchados pelas lagrimas, sorriu, me abraçou e disse:

– “Eu te amo papai!” Fechou os olhos e dormiu.

Acordemos pais!!! Aprendamos a dar o valor certo aquilo que é mais importante em relação aos nossos filhos, já que disso depende o sucesso ou fracasso na suas vidas.

Já pensou qual seria a ‘nota’ que seu filho daria para você hoje?

Roteiro de viagem: Gramado, RS

Gramado é um lugar muito bonito e merece pelo menos 5 dias para aproveitar a maioria dos museus e parques (e acredito que não consiga ir a todos com o devido tempo). Vou passar aqui algumas dicas.
Algumas peguei com amigos outras fui observando ao longo da viagem.

A distância do aeroporto de Porto Alegre é de aproximadamente 120 km. As estradas entre Gramado e Porto Alegre são boas, porém existem dezenas de radares limitando a velocidade entre 50 km/h (lombadas eletrônicas), 60km/h e 80km/h (com radares móveis ou ocultos).
Reserve umas 2 horas e meia no mínimo para o deslocamento de ida e outras tantas para o retorno.

Alugue um carro.
Definitivamente é a melhor opção para se locomover entre tantos parques. Utilizei a Infinit Auto Locadora, uma locadora local que ofereceu um bom preço por um Logan (Em torno de R$ 90,00 com quilometragem livre), além do preço, fui muito bem atendido tanto na recepção quanto na entrega do veículo. Quando cheguei em Porto Alegre, o carro já estava me esperando no aeroporto e entreguei o carro no mesmo lugar. As regras da locadora eram bem simples: entregar o carro como ele foi me entregue, limpo e com tanque cheio. No caso da higienização, eles te cobram antecipadamente R$ 25,00 e te devolvem se o carro estiver limpo (coisa difícil de ocorrer, porém o valor é justo). Para quem nunca alugou carro, fica a dica de fazer um checklist completo ao pegar o carro, marcando batidas, arranhões e tudo que o carro já tiver de defeito para que não seja cobrado depois. Eu, por exemplo, pedi para marcar até as calotas arranhadas (vai que…)

Existem algumas opções de estrada entre POA e Gramado. Tome cuidado com as opções possíveis no GPS:

Na ida, por exemplo, usei o NDrive que me jogou por fora das estradas com pedágio (OK até aí, mas o problema é que cai em uma estrada de terra…).

Saímos do aeroporto bem cedo e o Voo (da Gol) que pegamos não oferecia nenhum alimento, logo, se estiver com fome, coma algo no aeroporto mesmo. Não vi muitas opções no começo da BR-116.
Na estrada, paramos na Tenda lancheria, um lugar bem simples, porém legal. Pedimos um misto quente… No sul eles não comem misto quente com presunto como no Rio, usam linguiça ou salame.

Optamos pelo Hotel Alpestre. O café da manhã deles é sensacional e as instalações também. Eles possuem piscina externa, térmica, quadra de tênis, recreação infantil, spa… Enfim.

Alpestre

Gramado possui centenas de restaurantes. Impossível conhecer todos em uma viagem só. Vou falar dos restaurantes (e parques/museus) que visitei.

O Restaurante Petit Brasil foi a primeira parada. Aceita cartões. Lugar bonito e agradável; Comida gostosa e preço levemente salgado. Aliás, Gramado não prima pelo preço baixo no quesito alimentação, porém você é sempre muito bem atendido e se sente satisfeito com os pratos.

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Um passeio legal é no Lago Negro que tem pedalinhos no formato de cisne e caravela. Preço (pagamento somente em dinheiro) varia entre R$20 e R$30, dependendo da opção (caravela, cisne, etc). O Lago tem bom espaço para pedalar e algumas lojas no entorno; É um lugar tranquilo.

Largo da Borges é tipo um mini shopping e fica ao lado do Palácio dos Festivais. O ponto alto é a Gelateria veneta. Lá vende gelato… E é muito, muito, muito bom! Vá!

Achamos um rodízio de pizzas (o rodízio só funciona à noite), chamado Vale quanto pesa. Excelente! Atendimento muito simpático, comida boa, clima agradável e um preço justo.

Na estrada entre gramado e canelas fica o Mamma Mia. Prepare-se para comer muito.Vá com fome! Oferecem rodízio de massas, porém antes, uma sopa de capeleti (excelente) fora saladas, galeto, etc. Sai rolando… nem consegui comer a sobremesa, já inclusa. Aceita cartões.

Em frente ao Palácio dos Festivais fica a Rua Coberta, também na Borges de Medeiros. Vale escolher um restaurante lá. Tem várias opções. No último dia, escolhi o Beiruth. Eles servem um entrecot para dois que tem um preço muito bom e a comida também é muito gostosa. Aliás, entrecot seria filé. O lugar aceita cartão. Sugiro ficar na parte de dentro do restaurante.

Como a Borges de Medeiros tem muitas opções, vale deixar o carro por ali e andar pela rua.
Em Gramado, para estacionar, você encontra as Zona Azuis em algumas ruas. Basta observar as placas e as delimitações de vaga. Caso você estacione em uma dessas vagas, procure por perto um parquímetro. Sim, em Gramado não há flanelinhas! Mas existem “monitores”. Eles basicamente verificam o estacionamento e trocam dinheiro em papel por moeda, já que os parquímetros só aceitam moeda. O aparelho irá imprimir um papel com o tempo de estacionamento. Coloque no para-brisa do carro. Você pode ficar parado por até 3 horas (dependendo do quanto inseriu de dinheiro).
Algumas ruas laterais não tem zona azul, então pode-se estacionar sem problemas, desde que respeite as sinalizações.
Dica: Respeite SEMPRE a faixa de pedestres! Sempre! Não vi sinais de trânsito lá (e muitas rotatórias). E as faixas de pedestres são respeitadas. Se um pedestre fizer uma menção de atravessar, pare o carro.
Também não vi blitz porém, se estiver dirigindo, uma opção é o suco de uva ao invés do vinho. É muito mais gostoso do que o vendido aqui no Rio. É natural, puro e sem açúcar! Delicioso. Vou procurar onde vende aqui no Rio desses.

Mini Mundo

Vá ao Mini Mundo! É excelente passeio e um preço justo. Vai gastar umas 2 horas ou mais, dependendo de como você quer visitar e/ou fotografar cada mundo apresentado lá. Só aceita dinheiro

Outro passeio muito bom é a visita ao GramadoZoo: Um zoológico muito bom que te leva para bem perto dos animais. Alguns ficam soltos perto de você. Atenção: somente animais da fauna brasileira, logo, nada de elefantes, camelos, hipopótamos, etc.

Visite também o Parque Gaúcho: Conta a história, criação e costumes Gaúchos. Você pode comprar os ingressos (Zoo mais Parque Gaúcho) na mesma bilheteira, em frente ao zoo, porém pegue o carro para ir ao Parque Gaúcho, já que é uma boa distância de se andar… Eu fiz os 3 passeios (Mini Mundo, Zoo e Parque) no mesmo dia. Tanto o Zoo quanto o Parque Gaúcho aceitam pagamento em cartão.

No mesmo dia, escolhemos o Restaurante Nonno Mio para almoçar.
O restaurante é 10! O galeto e as massas são excelentes e o atendimento também é muito bom. Aceita cartões.

Se quiser um lanche, o Skillo lanches tem preços bem honestos e os lanches são legais, porém o x-burguer é feito de carne de boi e não hambúrguer, como no Rio. Matheus não gostou… O Bauru é enorme e gostoso, mas veio com um molho de tomate em cima… Achei que não ficou muito bom. Aceita cartões.

Mundo a vapor

Visite o Mundo a vapor. Fica na estrada entre Gramado e Canela. O lugar é muito legal. Você vai conhecer ou entender melhor como funciona uma usina termoelétrica, hidroelétrica, etc.
Aliás, na estrada estão vários dos museus e parques que visitamos (Mundo a Vapor, Mundo Encantado, Hollyqood Dream Cars)…

Existem 4 lugares que valem a visita e que se forem interessantes para você, vale comprar os 4 ingressos de uma vez:
Dreamland Museu de cera: Se você já foi no Madame Tussauds, vai achar esse museu fraco. Acho ruim o fato de não deixarem tirar fotos das estátuas (afastadas por fitas). Irão te oferecer fotos no barco com Jack Sparrow, No Salão Oval e com o Homem Aranha. Como os ambientes são legais, você acaba escolhendo algumas e comprando.
Harley Moto Show: Basicamente, muitas Harleys expostas, mas você não pode encostar nelas, infelizmnete.
Hollywood Dream Cars: O melhor dos 4 museus na minha opinião. Muitos carros clássicos como Cadillacs!
Super Carros: Carros esportivos da atualidade. Você pode até dar uma volta em uma Ferrari, por exemplo. Eu não tive “coragem” de dar R$300 para andar alguns minutos e acompanhado por alguém…

Separe um dia ou dois dias para ir para Canela (e adjacências). Canela é bem mais simples que gramado e tem alguns restaurantes com buffet com preços mais baratos porém bem mais simples… Se quiser comprar chocolates, existem dezenas de lojas na estrada entre gramado e Canela. Existem também dezenas de parques em Canela. No meio da cidade fica a Catedral de Pedra. Linda.

Cascata do Caracol

Visite o Parque do Caracol. Você terá visão da queda d’água. Existem um mirante gratuito que tem uma boa visão. Existe também um observatório ecológico (que fica uns 30 metros acima do mirante gratuito), acessado por um elevador, mas esse é pago. Não vale a pena, ainda mais se quiser tirar fotos decentes já que ele é envidraçado.
No parque existem restaurantes, um trenzinho (com uma visita a uma vila dos Imigrantes). Uma escadaria (escadaria da perna bamba) de 927 degraus que te leva para a base da Cachoeira. O equivalente a um prédio de 36 andares. Só vá se tiver disposição e lembrar que terá que subir tudo de novo…

O Alpen park (também em canelas) é bem legal. Eles possuem arvorismo, escalada, tirolesa, montanha russa entre outras coisas. A mais maneira é o trenó. Vá nele! Aceitam cartões.

Florybal

Outro parque muito legal é o Florybal. Fica na estrada que leva ao Parque do Caracol. Estacionamento gratuito. Aceita cartões. Prepare-se para andar (e muito) pelo parque. Tem parte de dinossauros, índios, religioso. Se estiver com crianças é parada obrigatória.

O Parque Mundo encantado (aceita somente dinheiro) é um parque no estilo do Mini Mundo porém bem menor. Eles tem 5 maquetes reproduzindo Gramado (e Canela) em suas criações.
Uma maquete muito linda da história de Jesus também está exposta.

A Aldeia do Papai Noel (aceita somente dinheiro) tem a casa do Papai Noel (e o bom velhinho faz plantão lá para tirar fotos), uma fábrica, mirante voltado para a estrada Gramado-Canela, renas de verdade, um monorail que liga a fábrica até a casa do Papai noel (R$ 10 por pessoa. Não vá a não ser que queria muito…)
Na loja, dentro da aldeia, você pode pegar um pedaço de madeira e escrever nele seus desejos. Depois, pode colocar na árvore dos desejos.

Leve dinheiro porque várias lojas, parques e restaurantes só aceitam dinheiro. Existem alguns bancos como Santander (No Centro de Gramado) e CEF (No Centro de Canela).
O tempo em Janeiro é me pareceu meu instável por que quase todos os dias chovia (pouco) e abria um sol de rachar a cuca. Talvez isso explique por que muitas lojas sempre tinha capas de chuva para vender. Porém, mesmo como sol, bastava ir para uma sombra que estava bem fresco e agradável. É bom levar um agasalho porque do nada pode cair um pouco a temperatura.

Acho que a metade de janeiro para frente é a melhor, já que entre Novembro e o meio de Janeiro ocorre o Natal Luz, onde a cidade fica bem cheia e os preços de estadia são muito mais altos. Na época em que fomos restaurantes e parques estavam bem vazios.

Memory leak em Java: O que é, como se faz e como evitar

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, uma aplicação escrita em Java pode sim apresentar problemas de vazamento de memória, termo comumente conhecido por memory leak. Infelizmente, um grande número de programadores Java acha que memory leak é coisa de C/C++ e que o garbage collector do Java resolve esse problema completamente. Neste artigo pretendo mostrar que o garbage collector, apesar de ser funcionar muito bem, não é capaz de fazer mágica.

Memory leak significa exatamente o que o seu nome diz: vazamento de memória.
Ele pode ser de dois tipos:
1) Blocos de memória: estão alocados e disponíveis para serem usados pela aplicação, mas não são acessíveis porque a aplicação não tem nenhum ponteiro* apontando para essa área de memória. Logo, estes blocos de memória não podem nem ser usados nem pela aplicação e nem por outros processos.
2) Blocos de memória: possuem dados que poderiam ser liberados por serem inacessíveis e que, por “esquecimento”, ainda são referenciados no código mesmo sem estarem sendo usados, não podendo ser liberados.

A situação 1 é muito comum em C/C++. Aloca-se uma quantidade de memória usando a função malloc*, por exemplo, e na seqüência o programador faz com que o ponteiro para essa área de memória passe a apontar para outro local, perdendo a referência inicial. Em Java este tipo de memory leak não ocorre, pois o garbage collector é capaz de detectar blocos de memória alocados e não referenciados e liberá-los para uso posterior.

É na situação 2 que mora o problema. Mas antes de explicar como esse problema pode ocorrer e como evitá-lo, vamos entender um pouco mais como funciona o garbage collector do Java.
1. Um ponteiro é uma variável que aponta para um endereço de memória. É um termo bastante comum em C/C++ e engana-se quem acha que Java não possui ponteiros. Quando um objeto é criado usando new, a variável que recebe o objeto é, na verdade, um ponteiro que aponta para um endereço de memória que contém o objeto.
2. A função malloc() faz parte da API do C. Sua função é alocar a quantidade de memória desejada (fornecida como parâmetro). O retorno desta função é um ponteiro para a área de memória recém criada.

O Papel do garbage collector
Uma das grandes vantagens do Java sobre linguagens de programação de mais baixo nível é a presença do garbage collector (coletor de lixo). A função do dele é vasculhar a memória atrás de blocos alocados que não tenham mais como ser referenciados pela aplicação. Quando o garbage collector se depara com uma situação desse tipo, ele desaloca a memória, tornando-a disponível para ser usada novamente pela aplicação.

Ver o garbage collector funcionando no Java é muito fácil. Observe este código:
public static void main(String[] args) throws Exception {
int[] array = null;
while(true) {
array = new int[1000];
System.out.println(“Bytes livres: “+ Runtime.getRuntime().freeMemory());
Thread.sleep(200);
}
}

Este código fica executando em um loop infinito. A cada iteração do loop, um array de 1000 posições de inteiros é criado. Cada vez que o loop é executado, é mostrada a quantidade de bytes livres. Num primeiro momento você pode pensar: “esta aplicação vai acabar com a memória da JVM?”. Mas na verdade não é isso que acontece. Ao executar o programa, em determinado momento você vai observar a seguinte saída:

Bytes livres: 1530520
Bytes livres: 1530520
Bytes livres: 1530520
Bytes livres: 1526504
Bytes livres: 1522488
Bytes livres: 1518472
Bytes livres: 1514456
Bytes livres: 1510440
Bytes livres: 1912792
Bytes livres: 1912792
Bytes livres: 1908776
Bytes livres: 1904760
Bytes livres: 1900744
Bytes livres: 1896728
Bytes livres: 1892712

A memória estava acabando e, repentinamente, ela aumentou. A explicação disso é simples. Quando o loop é executado, é criado o array. Na próxima iteração do loop, o array criado na iteração anterior não é referenciado por mais ninguém (perceba que a variável array deixou de apontar para o array antigo e passou a apontar para o novo array, fazendo com que o array antigo ficasse inacessível). Em determinado momento, a JVM percebe a queda da memória disponível e coloca o garbage collector em execução. O garbage collector então descobre que essa memória que foi sendo alocada no decorrer dos loops está inacessível e a libera. É neste momento que podemos perceber que a memória disponível aumenta.

Depois de ver este código rodando, você deve estar se perguntando: “como eu sei quando o garbage collector vai ser executado?”. Não é possível saber. O controle da execução do garbage collector é da JVM. Quando a JVM decidir que é hora de executá-lo, ele será executado. Note que executar o garbage collector toda hora não seria recomendável, já que ele ocupa recursos computacionais.

Outro ponto importante a respeito do garbage collector é que, como ele é controlado pela JVM, não é possível forçar a sua execução via programação. O máximo que pode ser feito é a chamada do método System.gc() (ou Runtime.getRuntime().gc()). Este método notifica a JVM que a aplicação gostaria que o garbage collector fosse executado, mas não garante que ele realmente será executado no momento desejado.

O método finalize
A classe Object do Java possui um método chamado finalize(), que pode ser sobrescrito pelas classes que herdam de Object (isto é, qualquer classe). Quando o garbage collector decide que determinado objeto será destruído por não ser mais referenciado, ele chama o método finalize() no objeto logo antes de destruí-lo.

Apesar do método finalize() ser uma chance que o programador tem para liberar recursos associados ao objeto no momento em que ele será destruído, sobrescrever o finalize() não é recomendado em nenhuma situação. O motivo é simples: como não existe garantia que o objeto será destruído, também não existe garantia que o finalize() será executado. A própria Sun não recomenda sobrescrever o método finalize(). A liberação de recursos pode ser feita de outras formas, como utilização de blocos try/catch/finally e/ou criação de métodos específicos para este fim (método close(), por exemplo).

Para mais informações sobre este tópico, consulte: http://java.sun.com/developer/TechTips/2000/tt0124.html.

Causando um memory leak em Java
Após o entendimento do que é um memory leak e como funciona o garbage collector do Java, vamos agora mostrar como causar um memory leak em Java e o que fazer para evitá-lo. Primeiramente, gostaria de reforçar que memory leaks são difíceis de descobrir (às vezes é preciso recorrer a ferramentas externas) e sempre são causados por erro de programação. Normalmente os programadores não se preocupam muito com eles, até o momento em que começam a consumir uma quantidade excessiva de memória ou até derrubar a JVM (quando a memória acaba, a JVM lança um java.lang.OutOfMemoryError e termina).

Comentei na seção 3 que o garbage collector é capaz de detectar objetos não-referenciados e destruí-los, liberando a memória. Para criar um memory leak basta manter a referência a um ou mais objetos no código, mesmo sem utilizá-la depois. Dessa forma o garbage collector nunca poderá destruir os objetos, e eles continuarão existindo na memória mesmo não sendo mais acessíveis. Observe este exemplo simples de implementação de uma pilha:

public class Pilha {
private List pilha = new ArrayList();
int count = 0;
public void push(Object obj) {
pilha.add(count++, obj);
}
public Object pop() {
if(count == 0) {
return null;
}
return pilha.get(–count);
}
}

Cada vez que um elemento é colocado ou removido da pilha, um contador controla a posição do último elemento. Este é um caso visível de memory leak. A pilha tem referências cadastradas para todos os objetos contidos nela. No entanto, por mais que os objetos sejam todos removidos da pilha, a pilha continuará referenciando os objetos removidos, o que impossibilitará o gargabe collector de recuperar esta memória.

Para resolver a situação nesse caso, basta eliminar a referência ao objeto quando ele for removido da pilha:

public class Pilha {
private List pilha = new ArrayList();
int count = 0;
public void push(Object obj) {
pilha.add(count++, obj);
}
public Object pop() {
if(count == 0) {
return null;
}
Object obj = pilha.get(–count);
pilha.set(count, null);
return obj;
}
}

Atribuir a referência do objeto para null fará com que a pilha não mais referencie o objeto, possibilitando ao garbage collector a destruição do mesmo.

Este exemplo tem por objetivo mostrar como memory leak em Java é possível. É difícil alguém implementar uma pilha desta forma (ainda mais que Java já possui uma classe Stack para esta finalidade). De qualquer forma, imagine uma situação semelhante a essa onde milhares ou até milhões de objetos fiquem inacessíveis e ainda assim referenciados. Numa aplicação rodando sem parar num servidor de aplicação, por exemplo, isso pode acarretar o término da JVM por falta de memória após alguns dias de memory leaks acumulados. Numa situação como essa, encontrar o erro pode ser uma tarefa extremamente complicada e trabalhosa.
Recomendações para evitar memory leaks

Acredite: seguir algumas recomendações para evitar os memory leaks é muito mais fácil do que detectá-los após o código ter sido finalizado. Como o garbage collector facilita bastante o trabalho do programador, basta prestar atenção em alguns pontos principais que são causas comuns de memory leaks:
* Cuidado com coleções de objetos (arrays, listas, maps, vectors, etc.). Às vezes elas podem guardar referências de objetos que não são mais necessários.
* Ainda relacionado às coleções de objetos, se as mesmas forem static ou durarem todo o tempo de vida da aplicação, o cuidado deve ser redobrado.
* Ao programar situações onde seja necessário registrar objetos como event listeners, tome o cuidado de remover os registros desses objetos caso não sejam mais necessários. Resumindo: elimine todas as referências a objetos desnecessários. Fazendo isso, o garbage collector terá condições de fazer o seu trabalho completamente e você estará livre dos memory leaks em suas aplicações.

Este artigo procurou demonstrar que memory leaks existem em Java, ao contrário do que muitas pessoas pensam. Foi mostrado como criar uma situação de memory leak e como cuidar para que situações desse tipo sejam evitadas, a fim de não prejudicarem as aplicações.

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Fonte: Dicas-L
Colaboração: Carlos Tosin
Data de Publicação: 12 de abril de 2010